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  • ana raimundo

Somos Repetentes

Estávamos no início de Setembro de 2012 quando recebemos a notícia. O Rio de Mel estava a arder, o que abalou os nossos corações e acabou por mudar o rumo da nossa vida.



Poça do Castelhano (Setembro 2012)

Desde aí a nossa rotina de mudar anualmente para um novo local (assim ditam as regras para se ser professor de ciências, contratado) deixou de o ser. Abdicámos com amor. Pintar de verde os pedaços outrora dos meus antepassados era um objectivo urgente.




pinheiro manso (Fevereiro 2013)


Fomos plantando, fomos cuidando, fomos ficando mais e mais, tal qual raízes que se ligam ao chão. E ficámos com a alegria de ver as árvores, as couves, as jornadas sazonais, a vida rural.



serigrafia e bordado (trabalhos inspirados e desenvolvidos a par das rotinas e vivências numa aldeia de montanha)

pinheiro manso (Abril 2017)



2017 foi um ano insuportável em matéria de incêndios, escrevo com sinceridade que olhávamos as montanhas à volta - 'barril de pólvora', chamávamos-lhes.

Esse Verão custou a passar, faltava o ar, ninguém dormiu bem, ninguém descansou, sentia-se um ambiente geral de preocupação e sobressalto, todos falavam aterrorizados na chuva que tardava.

O Outono chegou e com ele Outubro, em meados desse mês tudo virou borralha novamente, numa destruição sem precedentes - ficou por nós conotado para sempre como 'O Outubro'.

Emocionalmente uma revolta interior de falhanço, um vazio.

Éramos repetentes e a nossa esperança construída ao longo de alguns anos desvaneceu-se em cinzas.






pinheiro manso (Outubro 2017)


Daí percebemos, reforçando a nossa ideia anterior, que as montanhas e a paisagem iam precisar de ajuda. Após dois incêndios já pouco restava de sementes no solo, a erosão é um problema muito sério e a água escorre monte abaixo, não ficando retida.


Numa das idas até Alvôco das Várzeas, em Abril de 2018, nenhum de nós disse uma palavra. Estávamos na Primavera seguinte e a paisagem continuava tenebrosa, tal zona de guerra, fustigada por uma bomba atómica.







Chegados ao destino, dissemos quase em uníssono 'temos que fazer algo', pensar diferente, do tamanho das montanhas e microscopicamente até aos fungos que compõem o chão.


Pouco tempo depois, um video partilhado numa rede social, sobre intervenção pós fogo, pelos TerraCrua Design, por quem tínhamos já uma grande admiração pelos seus objectivos e trabalhos desenvolvidos até então, motivou alguns comentários incluindo do próprio mentor - chamem-lhe acaso, magia, destino, coincidência, o que quiserem - e assim iniciámos o diálogo, a parceria.

A esperança em ver de novo as montanhas com vida despontou.


O Projecto Rio de Mel começou



vista para o Porto Bardo


'para a frente que é caminho'


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